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Princípios teóricos

Princípios do utilitarismo clássico

Embora poucos utilitaristas adotem a teoria original de Bentham sem modificações, ela é a principal referência de teoria utilitarista. Veja utilitarismo clássico para uma exposição mais detalhada.

Princípio da utilidade

Atos são avaliados como bons ou ruins segundo sua probabilidade em aumentar ou diminuir a felicidade dos indivíduos. Às vezes referido pelo slogan: "O maior bem para o maior número."

Hedonismo

O prazer/bem-estar/felicidade é a única coisa intrinsecamente boa e o sofrimento a única intrinsecamente ruim. Os demais valores como a vida, a liberdade, a saúde, etc tem valor porque são meios para o prazer ou para o sofrimento.

Consequencialismo

Os atos são avaliados apenas em função de suas consequências, não tem valor em si mesmos. Isto contrasta com as teorias deontológicas em que os atos tem um valor segundo sua natureza que independe das suas consequências e as teorias de virtude, em que o que tem valor são as características pessoais e não os atos ou suas consequências.

Universalidade senciente

Todos os indivíduos sencientes capazes de sentir prazer ou sofrimento devem ser levados em consideração, não apenas um subconjunto deles. Isto inclui boa parte dos animais.

Igual consideração

Todos os indivíduos sob consideração tem o mesmo peso, inclusive o que está avaliando a situação. Embora em algumas situações, a utilidade que um indivíduo gera sobre os outros possa aumentar ou diminuir seu valor instrumentalmente. Não há parcialidade.

Pressupostos filosóficos do utilitarismo clássico

Naturalismo metafísico

Hedonismo psicológico: O utilitarismo clássico pressupõe que o ser humano é fundamentalmente e exclusivamente motivado pela busca de bem-estar e aversão ao sofrimento, todos os outros valores e motivações são instrumentais a esta busca, e os desvios desta conduta são devidos a erros e falhas.

Livre-arbítrio

Identidade pessoal

Justificação

Veja justificações do utilitarismo.

Muitos utilitaristas adotam esta forma de pensar por suas vantagens relativas a outros sistemas morais, como se basear em consequências reais, ter um critério explícito de decisão e não ser tão baseado em intuições morais ou postulados metafísicos. Entretanto, algumas justificativas positivas para o utilitarismo foram propostas:

  • A intuição moral de que atos corretos são os que tornam o mundo um lugar melhor. Se melhor significar mais felicidade e menos sofrimento, os atos mais corretos são os que provocarem mais felicidade e evitarem mais sofrimento no mundo.
  • O hedonismo psicológico: a teoria de que o único valor intrínseco que seres humanos valorizam e procuram é maximizar o bem-estar/felicidade e evitar o sofrimento. Portanto, o que importa é que exista mais felicidade e menos sofrimento no mundo.

Diferenças de éticas deontológicas

A principal diferença de éticas consequencialistas e deontológicas é a que nas primeiras o valor está nas consequências, e na segundas nos atos ou regras. Isto implica que nas primeiras um ato não tem valor fixo, seu valor dependerá de quais forem suas consequências naquele contexto, enquanto nas segundas o ato tem um valor definido que independe de quais forem suas consequências.

Éticas consequencialistas também definem maneiras melhores e piores de agir em qualquer tipo de situação geralmente definindo seu valor quantitativamente; éticas deontológicas definem atos permissíveis (supererogatórios), obrigatórios e proibidos. Isto implica que éticas consequencialistas sempre terão atos considerados melhores, enquanto éticas deontológicas podem não ter nenhuma resposta permissível numa dada situação.

Éticas deontológicas geralmente definem direitos de forma rígida, enquanto consequencialistas os vêem como instituições de valor instrumental, mas que não são rígidos e em certas situações podem e devem ser violados, implicando que não há garantia rígida de direitos numa ética consequencialista. O mesmo raciocínio se aplica a deveres, são úteis instrumentalmente, mas podem ser contingencialmente ruins e desta forma não devem ser aplicados nestes casos.

Implicações

Há muitas implicações do utilitarismo que desviam da conduta moral comum e de outras éticas. Uma implicação do consequencialismo é a não relevância moral da distinção entre atos e omissões. Deixar de fazer algo é tão bom ou ruim quanto fazer algo que provoque o mesmo efeito (deixar alguém morrer é tão ruim quanto matar).

Outra implicação é a verificabilidade empírica em potencial de quais atos tem efeito positivo e negativo sobre a felicidade e o sofrimento, e desta forma a possibilidade da criação de uma ciência da maximização da felicidade e da minimização do sofrimento, permitindo que questões morais sejam tratadas cientificamente (utilitarismo científico).

Variedades e vertentes do utilitarismo

Para uma lista mais completa, veja Tipos de utilitarismo.

Utilidade e seus valores

Há discordâncias sobre que noção de felicidade deve ser maximizada, se corresponde à simples noção de prazer, bem-estar ou valência hedônica ou a um conceito mais complexo de felicidade como eudaimonia.

Há ainda proponentes de que não são sentimentos e sensações de felicidade ou bem-estar em si que interessam mas a satisfação de preferências, desejos ou interesses. Havendo os que atribuem o valor à experiência de satisfação (utilitarismo experencial), e os que atribuem à realização concreta do interesse.

E há quem defenda que há valores intrínsecos além do espectro felicidade-sofrimento, como vida, autonomia, liberdade, justiça, amor, entre outros.

Direto ou indireto: Atos e regras

e 2 níveis

Positivo ou negativo

e prioritarismo, igualitarismo

Universal ou egoísta

e segundo a senciência

Total vs. médio e o paradoxo da mera adição

Principais críticas ao utilitarismo e suas respostas

Para uma lista mais completa, veja Críticas ao utilitarismo.

Interesses pessoais e a objeção da demanda excessiva

Falta de limites e direitos

A ética utilitarista não define direitos ou garantias, apenas a desirabilidade da utilidade, de maneira que em situações extremas a maximização da utilidade poderia implicar na violação de qualquer tipo de direito, como o caso de torturar um terrorista para se obter informações importantes ou o de sacrificar um paciente saudável para salvar diversos receptores de órgãos compatíveis no mesmo hospital ou ainda o de sacrificar involuntariamente alguém que irá sofrer muito pelo resto da vida.

No utilitarismo direitos poderiam ser considerados como valores secundários, que na média tendem a ter um efeito positivo, mas que devem ser violados em circunstâncias específicas.

Em resposta a esta objeção, foram criadas algumas teorias tentando conciliar a ética utilitarista com alguma forma de deontologia (éticas de dever).

Justiça, liberdade, vida e outros valores

Empobrecimento da experiência subjetiva

Falta de uma justificação rigorosa

Quantificação hedônica

Incomensurabilidade na agregação

Sadismo e abuso

Em diversas versões do utilitarismo, atos sádicos envolvendo extrair prazer do sofrimento de alguém seriam permissíveis e desejáveis na ausência de opções melhores, desde que a soma do prazer dos abusadores seja maior que o sofrimento da vítima, isto seria sempre possível se houver abusadores suficientes.

Imprevisibilidade

Uma objeção prática ao utilitarismo, e ao consequencialismo em geral, é que a realidade é complexa e não-linear e muitas vezes nos deparamos com situações imprevistas ou imprevisíveis, o que limita fortemente nossa capacidade de atuar eticamente neste tipo de situação.

Embora seja uma objeção prática a imprevisibilidade traz uma limitação fundamental à possibilidade e eficácia de uma moral consequencialista. Entretanto, ela pode atenuada por meio de heurísticas e princípios de tomada de decisão sob risco (como o princípio da precaução) e, na falta de outra possibilidade, pode-se agir usando-se uma ética não-consequencialista (como uma deontológica).

Saiba mais

Links externos

Em inglês

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