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Senciência é a capacidade de sentir, de se ter estados subjetivos afetivos, e, em particular, de sofrer. A sensação subjetiva é um aspecto da consciência, e não é o mesmo que reagir comportamentalmente a um estímulo, ou de processá-lo cognitivamente, estes dois podem ocorrer sem serem acompanhados da sensação subjetiva (como por exemplo nos atos reflexos e na visão cega).

Epistemologicamente a senciência é um problema difícil, ainda não há uma teoria estabelecida de como e porque ocorre e de como detectá-la, apesar de muitos esforços feitos neste sentido e de algumas teorias tentativas, e por sua dificuldade foi chamado de problema difícil da consciência, e considerado por muitos um dos problemas mais difíceis da filosofia. A aferição empírica de senciência, só pode ser feita de forma indireta por meio do comportamento e de sinais neurofisiológicos correlatos e mesmo assim é também bastante desafiadora, testar a presença de senciência em pacientes em coma, com lesão cerebral, em fetos e animais de outras espécies envolve um tipo de pesquisa complicada e frequentemente seus métodos e resultados são controversos.

Muitos filósofos e teorias utilitaristas usam a senciência como o critério fundamental de subjetividade ética, isto é, um indivíduo passa a ter valor intrínseco à medida que este é senciente.

Teorias da senciência

Teoria da consciência como informação integrada

[1] [2] [3]

Quantificação e comparação senciente

Um difícil problema teórico de teorias consequencialistas agregativas é comparar graus de senciência e somar experiências subjetivas entre diferentes indivíduos. Parece intuitivamente plausível que se isto pode ser feito num mesmo indivíduo em diferentes instantes e estados subjetivos, seria possível fazer entre indivíduos, se soubéssemos aferir seu estado subjetivo.

Infelizmente a determinação precisa só poderia ser feita com uma teoria neurofisiológica da senciência. Apesar disso alguns critérios foram propostos para quantificação, baseadas em evidências específicas, como quantidade de neurônios, ativação tálamo-cortical, e frequências de disparos.

Circuito córtico-talâmico

Tamanho

Alguns defendem que a intensidade das experiências subjetivas depende de propriedades que escalam com o número de neurônios, com a atividade neurofisiológica ou com o tamanho da região cerebral ativada, esta perspectiva é baseada na constatação de que o grau de intensidade de sensação consciente num ser humano parece aumentar com estas três grandezas, e medicamentos anestésicos diminuem a dor proporcionalmente ao número de fibras neurais desativadas. Há no entanto os que defendam que a senciência é relativa ao indivíduo, e que o grau de intensidade de sensação seria proporcional ao grau de encefalização ou à proporção de ativação de uma área cerebral em relação a sua capacidade total de ativação, esta visão é baseada na idea de que as sensações tem a finalidade de modificar o estado comportamental e cognitivo do indivíduo e que o grau de atividade neural é proporcional ao corpo do indivíduo e ao tamanho do estímulo. Uma discussão sobre o assunto pode ser encontrada no fórum do Felicifia [4] e na discussão deste post [5].

Frequência cerebral

Diferentes espécies animais tem em frequências cerebrais diferentes, é possível que suas experiências subjetivas operem na mesma frequência [6].

Senciência em humanos

Fetos

O conhecimento neurocientífico atual sugere que o feto não sente dor durante o primeiro trimestre, devido às vias neurais da dor ainda não estarem desenvolvidas, o que ocorre por volta da 24ᵃ-26ᵃ semana [1] (entre o 5ᵒ e 6ᵒ mes), enquanto evidências eletrofisiológicas sugerem que a atividade começa por volta da 29ᵃ-30ᵃ semana [2] (entre o 6ᵒ e 7ᵒ mês).

Senciência em animais

Veja Senciência e sofrimento em animais.

Geralmente se considera que animais vertebrados são sencientes, incluindo assim mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes [3], devido a sua semelhança neuroanatômica, sua resposta comportamental a estímulos dolorosos e também sua atenuação sob efeito de anestésicos.

Uma declaração de 2012 assinada por diversos especialistas no estudo de consciência afirma que: "o peso da evidência indica que humanos não são únicos em possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não-humanos, incluindo todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem estes substratos neurológicos.". A declaração também descreve e discrimina as evidências atuais de consciência em diferentes clados animais [4].

Invertebrados

O caso de invertebrados é mais controverso, mas há evidências indiretas a favor de moluscos cefalópodes e gastrópodes, e de artrópodes crustáceos e aracnídeos [5], relacionadas a motivação e flexibilidade comportamental.

Nematelmintos

Vermes como o C. elegans tem um sistema nervoso bastante simples e permitem identificar as primeiras evidências de um sistema motivacional:

"Even the soil-dwelling roundworm C. elegans, which is millimeter long and has only 302 neurons in its entire body, has some basic pleasure circuitry. These worms typically feed on bacteria and are very good at following odor cues to find clumps on them. However, when a group of eight key neurons containing dopamine are silenced, the worms are mostly indifferent to this favorite food source (even though they can still detect odors)." -- David Linden (The Compass of Pleasure, p24)

Links

Em inglês

Referências

  1. Stuart W G Derbyshire. Can fetuses feel pain? BMJ. 2006 April 15; 332(7546): 909–912.
  2. Lee SJ, Ralston HJ, Drey EA, Partridge JC, Rosen MA. Fetal pain: a systematic multidisciplinary review of the evidence. JAMA. 2005 Aug 24;294(8):947-54.
  3. Scientists Tip the Scales Against Anglers, Günther Stockinger, Spiegel online, 03/11/2011 06:07 PM, ver tradução da UOL (por Deborah Weinberg): Novas pesquisas mostram que peixes têm consciência e podem sentir dor
  4. Philip Low et al. The Cambridge Declaration on Consciousness, july 7, 2012
  5. Invertebrate welfare: where is the real evidence for conscious affective states?, Georgia J. Mason, Trends in Ecology & Evolution, Volume 26, Issue 5, 212-213, 31 March 2011

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